Abril 24, 2008...1:16 am

I´m Not There (Não Estou Lá)

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Não é nada fácil acompanhar a cinebiografia nada convencional de Bob Dylan. “Não Estou lá”, dirigido por Todd Haynes, recomenda um conhecimento grande de causa antes de se pegar a pipoca, o refrigerante e sentar-se na poltrona do cinema. O filme se propõe a fragmentar fatos da vida de Dylan, lhe ando várias personalidades, sem mencionar seu nome em momento algum. A maneira autoral escolhida por Haynes (que também é o roteirista) confunde um pouco espectador menos familiarizado com o tema e é responsável por certa perda de fôlego do filme. Principalmente nos momentos do personagem de Richard Gere.  

O filme ganha brilho na presença de Kate Blanchett interpretando um cantor em fase de ebulição, chamando de traidor por seus fãs mais antigos e vivendo todos os excessos que a fama pode proporcionar. Exatamente como Bob Dylan quando ele chocou seus admiradores ao eletrificar sua música em potência máxima. Outro destaque é a fase igualmente conturbada do marido e pai de família sempre ausente, retratada no casal Heath Ledger e Charlotte Gainsbourg (Que rende belas cenas e uma química incrível entre os dois). O menino negro que retrata o início de sua carreia expõe o Dylan ingênuo e avesso a cantar a realidade do seu país, que logo ele faria com tanta maestria.

Ao final, o sentimento que predomina no expectador é o de montar um quebra-cabeça no seu cérebro. Juntar os fragmentos expostos em duas horas de película é um desafio para ser concluído durante as próximas horas de uma boa conversa de bar, regada a um bom vinho e som de Bob Dylan ao fundo. Uma nova ida ao cinema ou a locação do DVD (assim que este estiver disponível) é recomendável e imprescindível. Um belo filme, mas que se fosse um pouco mais enxuto poderia render muito mais.

OHN

1 Comentário

  • maravilha de filme, gostei muito!
    o segredo está exatamente em formar um quebra-cabeça e tirar dele sua própria interpretação da cinebiografia e se tratando de dylan ela só poderia fugir do convencional né.
    cate blanchett e sua performance perfeita, seu cigarrinho e suas respostas irônicas; as cores em contraste com o p&b; as músicas que embalam e explicam algumas cenas; os bons diálogos… acho que posso dizer que minha expectativa em relação ao filme foi até superada.

    beijo otto


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