



Apesar de muitas polêmicas entre gravadoras e os novos meios encontrados pelos artistas para difundir sua música, o ano de 2007 foi um muito produtivo em termos de discos lançados. Vários grupos, cantores e cantoras recuperaram o prestigio com trabalhos consistentes e outros surgiram como agradáveis surpresas no ano que passou. Provando que nada está perdido e que ainda existe vida inteligente na música pop, o blog fez uma lista dos melhores álbuns de 2007. Contribuições, discordâncias e outros comentários são sempre bem vindos. Eis os eleitos:
Amy Winehouse –Back to Black
A “cantora problema” de 2007 presenteou o público com um disco irretocável. Amy consegue o milagre de ser uma branquela londrina e tatuada com voz de negra do Mississipi. O disco abocanhou todos os prêmios possíveis e impossíveis. A pena é que a cabeça fraca da moça pode colocar a continuidade de sua carreira por água á baixo. Uma lástima.
Beastie Boys – The Mix-Up
Os rappers brancos de Nova Iorque resolveram largar os microfones e atacarem de instrumentistas. O disco totalmente sem vocais desnuda uma faceta pouco conhecida dos rapazes e dá claras evidências de o que os caras andam ouvindo nas horas de folga. Muito jazz, blues, R&B e suas vertentes. Inclusive a música “Suco de Tangerina” é inspirada no Brasil e no de Jorge Ben.
Bruce Springsteen – Magic
“The Boss” está de volta e com toda a energia. Depois de um disco mais soturno e introspectivo, Bruce devolve a alegria á suas composições (mesmo que algumas sejam bem políticas) e a The E Street Band soa mais festeira do que nunca. Mesmo cinqüentão Springsteen prova que ainda tem muita lenha pra queimar. Ainda bem.
Cachorro Grande – Todos os tempos
O rockeiros gaúchos soltaram mais um petardo cheio de hits, baladas e rocks pra levantar a galera. Apesar disso, nota-se um claro amadurecimento dos rapazes tanto nas letras, melodias e na produção do álbum. É um ótimo presságio do vem por aí.
The Cult – Born Into this
Depois de tentar uma retomada com um disco fraco em 2000, o Cult está de volta com toda a força. A banda canalizou toda sua energia apoteótica no palco para esta gravação onde o que se houve são rocks com o certificado de qualidade da dupla Ian Astbury e Billy Duff. Uma vinda ao Brasil para divulgar o disco não seria nada mal.
Ed Vedder – Into The Wild
O vocalista do Pearl Jam deixa de lado sua banda e ataca solo nesta trilha sonora do filme “Natureza Selvagem”, dirigido por Sean Penn. Vedder contata com suas emoções pessoais ao criar belas canções que pontuam o filme, baseado na obra do jornalista Jon Krakauer sobre suas aventuras como alpinista.
Fernanda Takai – Onde brilham os olhos seus
A doce e delicada musa pop Fernanda Takai recriou com extremo bom gosto o repertório de Nara Leão, a princesa da bossa nova. Não espere ouvir Fernanda imitando Nara. É Fernanda recriando Nara, com pitadas de Pato Fu e produção de Nelson Motta.
Foo Fighters – Echos, Silence, Patience and Grace
Dave Ghrol e sua turma retornam com um disco em que consegue agradar gregos e troianos. Rocks pesados para a galera que quer bater cabeça, músicas mais complexas melodicamente e baladas tranqüilas para serem tocadas ao violão. Uma das grandes bandas de rock da atualidade.
Lobão – Acústico MTV
O velho lobo voltou. Não, Zagallo não subiu de volta da tumba. Lobão reencontra antigos fãs e conquistas novos com este disco que traz versões desplugadas de seus sucessos, músicas inéditas e alguns surpresinhas. “Decadence Avec Elegance” ganhou roupas novas.
Manic Street Preachers – Send Away the Tigers
Incrível como este álbum foi praticamente ignorado pelo público e pela crítica. Justiça seja feita, aqui em Porto Alegre a Itapema FM vem tocando várias canções do disco como “Your Love Alone it´s not Enought” e “Indian Summer. É o mais consistente trabalho da banda britânica e também o mais cheio de hits em potencial. Vale uma boa escutada.
Nação Zumbi – Fome de tudo
Talvez a banda mais pulsante e criativa do rock nacional popularizou de leve seu som neste disco e entregou uma coleção de ótimas canções, com refrões grudentos, muito peso e letras menos engajadas, mas nem por isso menos geniais. Chico Science deve estar orgulhoso no céu.
Nico Nicolaiewsky – Onde está o amor?
Uma das metades dos Tangos e Tragédias assume seu lado pop romântico. Nico conta com uma competente banda que lhe dá mais segurança ainda para cantar uma balada de amor atrás da outra. Algumas com alta taxa de glicose, mas todas sensacionais. O show de lançamento do disco acontece agora em Março, dia 19, aqui em Porto Alegre.
Orquestra Imprerial – Carnaval só no ano que vem
Esta galera pra lá de talentosa finalmente soltou seu primeiro registro fonográfico no ano que passou. Apesar de não terem conseguido reproduzir em disco o delicioso sabor que é ouvi-los ao vivo, o álbum já nasce com um clássico das gafieiras, “Ereção”.
Paul McCartney – Memory Almost Full
O ex-beatle vem mantendo uma produção ativa nos últimos anos entre discos de inéditas, registros ao vivo e DVDs. Este disco traz somente novas composições onde o bom e velho McCartney prova que ainda sabe das coisas. Como se alguém ainda duvidasse disso.
Paulinho da Viola – Acústico MTV
O mestre do samba voltou com este belíssimo álbum acústico, onde canta seus maiores sucessos e ainda brinda o público com cinco composições inéditas. Este é talvez o melhor Acústico produzido pela MTV brasileira, que há horas estava devendo coisa melhor e é a retomada da carreira de Paulinho da Viola que andava um pouco parada e que ganhou novos admiradores com o documentário “Meu tempo é assim” e com este álbum.
Queens of the Stone Age – Era Vulgaris
Uma das bandas de rock mais festejadas no início dos anos 2000 está de volta. Em seu quinto disco, os Queens voltam à base do Stoner Rock e mandam um álbum que, apesar de difícil digestão, é clássico até a medula. Uma dica: Umas 4 ou 5 audições farão bem para o melhor julgamento final do material. Vá por mim.
Radiohead – Rainbows
Quanto você pagaria por uma obra de seu artista favorito? O Radiohead chocou o mundo ao deixar por conta dos fãs o valor a ser pago pelo download de seu novo álbum. Polêmicas á parte, o disco é o mais consistente desde o clássico “Ok Computer”. Seja baixando ou ouvindo o CD, é um disco obrigatório.
R.E.M. – Live
Primeiro disco ao vivo oficial lançado pela banda. É um registro perfeito de toda a energia do R.E.M. no palco. A versão dupla vem com um DVD da apresentação completa. É um aperitivo para o novo disco que vem esse ano e que promete resgatar o peso de trabalhos anteriores passados.
Robert Plant e Alison Krauss – Raising Sand
O Príncipe do rock encontra-se com a princesa do country e o resultado é um casamento perfeito em forma de disco, onde os ritmos de ambos se misturam em harmonia. Nada é exagerado. Plant e Alison fazem um dueto incrivelmente ajustado, dada a monstruosa diferença de estilos. A união fez a qualidade.
Soulsavers and Mark Lanegan – It´s not how far you fall, it´s the way you land
Este também foi outro disco que passou praticamente batido em 2007. O duo de produtores Soulsavers convidou o vocalista Mark Lanegan e desta união veio este belo álbum. O vocal demoníaco e rouco de Lanegan se encaixa perfeitamente as lindas melodias criadas pelos salvadores de almas. Das 10 canções do disco, ele canta em oito. Fique atento (a) á faixa escondida ao final do disco. Um cover de arrancar lágrimas de “No Expectations” dos Rolling Sontes.
Vitor Ramil e Marcus Suzano – Satolep Sambatown
O frio e o calor. O violão e a percussão. O sul e o Norte. Satolep e Sambatown. O encontro do compositor gaúcho com o percussionista carioca mistura tudo isso num caldeirão sonoro e o resultado é um disco brilhante. Destaque para as participações especialíssimas de Kátia B e Jorge Drexler.
E 2008 ?? Promete ser tão bom quanto o que passou. Este ano teremos os novos lançamentos de U2, Coldplay, Oasis, Black Crowes, Supergrass, R.E.M., entre outros e claro ás sempre ótimas surpresas que o universo da música nos reserva. Quem viver verá.
OHN