A incomunicabilidade do ser humano

Comunicar-se, fazer-se ouvir, ser bem compreendido por outras pessoas é um dom. Muitas pessoas se formam em comunicação social, seja qual for a habilitação, e passam uma vida inteira sem saber como se comunicar. Existe um filme do cineasta alemão Wim Wenders chamando “Paris, Texas” que aborda este tema como poucos. No filme, o personagem principal não consegue romper uma barreira e soltar suas amarras para voltar a viver com seu grande amor, e acaba optando por uma vida solitária e em busca de algo que talvez nunca irá encontrar.

O fato é que esta inabilidade para comunicar-se geralmente acontece em situações que envolvem pessoas que gostamos muito, que  são muito importantes em nossas vidas ou estão começando a participar mais ativamente dela. Há algo na minha incomunicabilidade que machuca: é a sensação que eu transmito para pessoas muito, mas muito queridas, de que elas são desimportantes na minha vida. Recentemente tive essa atitude, essa desconsideração, por duas pessoas que são bem importante pra mim (por diferentes razões). Não é fácil se dar conta disso e digerir um processo de auto-cura para que não volte a acontecer novamente. Dói, mas é melhor ter consciência do erro e mudar, do que ficar insistindo nele.

OHN

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Voltei a blogar…

Chico Buarque já cantou “voltei a cantar…porque senti saudades…do tempo em que eu andava na cidade…” Em tempos modernos a palavra cantar, pode ser substituida por blogar. No meio do furacão composto por provas e trabalhos de faculdade, trabalho, etc, fica dificil parar e escrever sobre o que se gosta num blog. Aliás, blogs foram feitos para isso. Eu tenho uma teoria de que blogueiros deveriam ser pagos pra escrever. Alguns poucos são muito bem pagos, outros muitos nem uma ajuda de custo. Isso é utopia, pois se um blogueiro anônimo e eventual como eu fosse pago, a produção poderia ser muito mais regular. Mas isso é uma tese, e como tese é facilmente desconsiderada.

Muitos assuntos que merecem uma reflexão breve estão pipocando. Futebol, cultura, política, em todas as áreas está acontecendo algo impactante. Nos esportes, a proximidade das Olímpiadas acentuará a cobertura esportiva e renovará as esperanças brasileiras de medalhas. Cá entre nós, se o Brasil conseguir três medalhas de ouro será já uma grande vitória. Nada comparado ao potencial olímpico de Cuba, que apesar de ser uma ilha navegando pelos mares do mundo a cada competição volta a forma campeões. Triste é ver o basquete brasileiro masculino de mal a pior, sem os astros da NBA e com pouquissimas possibilidades de ir a Pequim.  

Enfim, voltei a blogar!!!

OHN

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I´m Not There (Não Estou Lá)

 

Não é nada fácil acompanhar a cinebiografia nada convencional de Bob Dylan. “Não Estou lá”, dirigido por Todd Haynes, recomenda um conhecimento grande de causa antes de se pegar a pipoca, o refrigerante e sentar-se na poltrona do cinema. O filme se propõe a fragmentar fatos da vida de Dylan, lhe ando várias personalidades, sem mencionar seu nome em momento algum. A maneira autoral escolhida por Haynes (que também é o roteirista) confunde um pouco espectador menos familiarizado com o tema e é responsável por certa perda de fôlego do filme. Principalmente nos momentos do personagem de Richard Gere.  

O filme ganha brilho na presença de Kate Blanchett interpretando um cantor em fase de ebulição, chamando de traidor por seus fãs mais antigos e vivendo todos os excessos que a fama pode proporcionar. Exatamente como Bob Dylan quando ele chocou seus admiradores ao eletrificar sua música em potência máxima. Outro destaque é a fase igualmente conturbada do marido e pai de família sempre ausente, retratada no casal Heath Ledger e Charlotte Gainsbourg (Que rende belas cenas e uma química incrível entre os dois). O menino negro que retrata o início de sua carreia expõe o Dylan ingênuo e avesso a cantar a realidade do seu país, que logo ele faria com tanta maestria.

Ao final, o sentimento que predomina no expectador é o de montar um quebra-cabeça no seu cérebro. Juntar os fragmentos expostos em duas horas de película é um desafio para ser concluído durante as próximas horas de uma boa conversa de bar, regada a um bom vinho e som de Bob Dylan ao fundo. Uma nova ida ao cinema ou a locação do DVD (assim que este estiver disponível) é recomendável e imprescindível. Um belo filme, mas que se fosse um pouco mais enxuto poderia render muito mais.

OHN

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Seal põe Porto Alegre pra dançar

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O cantor inglês Seal se apresentou nesta quinta-feira, em Porto Alegre no Pepsi On Stage. Com 30 minutos de atraso ele entrou em cena para encantar e fazer dançar os pouco menos de 3 mil expectadores. O repertório teve como base seu mais novo disco, o ótimo e dançante “System” e apesar da pouca empolgação de parte do público houve momentos de êxtase coletivo, como nos megahits “Kiss From a Rose” e “Crazy”. Desde o inicio da noite a proposta de Seal foi colocar todo mundo pra dançar, mas nem todos corresponderam. Os excelentes músicos não pararam um minuto sequer tocando sobre as bases eletrônicas pré-gravadas. O cenário era simples, com um telão projetando belas imagens e uma luz impecável. Mais parecia uma grande festa do que um show.

É incrível a presença de palco e o carisma dele. O inglês filho de nigerianos é um frontman como poucos na história da música. Sua conexão com a platéia é feita não só pela música, mas através de gestos, palavras de amor e agradecimento e toques, já que por várias vezes ele fez questão de ir ao encontro dos que estavam á beira do palco. E sua voz continua cada vez melhor. Desde o álbum “Human Being”, de 1998, o artista inaugurou uma fase madura e evolutiva de sua obra. As boas músicas de “System” soam melhores ainda ao vivo e as antigas canções ganharam mais brilho e suingue com novas batidas eletrônicas. Ao final, quem aproveitou saiu de alma lavada de tanto dançar e cantar. Não é a toa que Seal é uma dos maiores nomes da música pop mundial e agora retoma sua carreira em grande estilo.

OHN

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Separados na maternidade ?

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Acima a foto de capa da Biografia dos Beatles escrita por Bob Splitz. Abaixo o vocalista Liam Gallagher do Oasis. Olhem só a foto de George Harrison ali em cima. Vai dizer que não é a cara do vocalista encrenqueiro do Oasis ?? Ou melhor, o Oasis imita tanto os Beatles que seu vocalista está a cara do George. Em tempo, não é nada de ruim tentar imitar a maior banda de todos os tempos. E o Oasis faz isso com dignidade.

OHN

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Leões e Cordeiros

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Os ataques de 11 de Setembro e a invasão ao Afeganistão e estão se consolidando como grandes feridas abertas na história americana. Talvez só o tempo e os livros de história darão a exata dimensão desse buraco negro que se abriu no american way of life. Hollywood, que muito e de diversas maneiras retratou a guerra do Vietnã, agora aproveita para estabelecer uma interessante filmografia a respeito destes recentes eventos. O cinema é talvez a arte que mais perpetue as grandes tragédias da humanidade, afim de não deixar que futuras gerações esqueçam o que foi feito no passado.

Um dos bons títulos disponíveis é “Leões e Cordeiros”, dirigido por Robert Redford. Na trama, um jovem senador aspirante á presidência pretende lançar um novo plano de ataques ao Afeganistão. Para obter sucesso e aprovação da opinião pública ele pretende contar com a ajuda de uma experiente jornalista, que não compactua com as idéias militaristas do governo de seu país e enfrenta uma crise ética ou deparar-se com o dilema de querer dar a sua versão dos fatos. Ao mesmo tempo, um professor universitário tenta convencer um aluno brilhante e desiludido com os últimos acontecimentos a mudar o rumo de sua vida e lutar por seus ideais. Fechando a ponta do triangulo, dois jovens (um negro e um latino) estão prestes a morrer nas montanhas geladas do Afeganistão quando se lembram do motivo que os levou a se alistarem para lutar nesta guerra e seus ideais de patriotismo.

O brilhante elenco, que conta com Redford, Tom Cruise e Meryl Streep é a mola mestre para este drama de diálogos muito bens construídos, roteiro envolvente e um final instigante. As questões levantadas no filme são várias, e talvez a intenção do diretor seja justamente não dar todas as respostas de presente ao público e lhes fazer refletir um pouco á cerca dos motivos que os levam a fazer certas escolhas, a relação dúbia entre mídia e poder e o patriotismo de quem é desprezado pela grande nação mãe. Uma película que passou quase despercebida pelos cinemas, mas que agora em DVD ganha sua segunda chance com louvor.

OHN

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Michael Stipe revela ser gay. Mas que diferença isso faz?

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Nenhuma. O fato do vocalista Michael Stipe, do R.E.M., ter assumido sua homossexualidade em uma entrevista á revista Spin não muda em nada o fato de ele ser um dos melhores cantores e compositores do pop mundial. É na verdade, só uma confirmação do que muitos já sabiam. Stipe em várias de suas letras compostas já abordou o tema e em outras entrevistas, especialmente a partir da metade dos anos 90, deixou várias pistas sobre sua preferência sexual. Muitos ídolos da música foram corajosos ao assumir sua sexualidade publicamente e não foram execrados ou perderam admiradores por isso. Pelo contrário, é possível que tenham ganhado até mais adeptos por sua ousadia de expor algo tão íntimo frente á uma sociedade tão preconceituosa e hipócrita. Quando o R.E.M. surgiu, em meados dos anos 80, seria bem mais complicado para Michael Stipe soltar uma declaração como esta. Hoje ele é um rock star de mais de 40 anos e despreocupado com o que outros vão pensar ou se vão usar suas palavras para vender mais revistas.  

A notícia mais relevante sobre Stipe é a proximidade do lançamento de mais um disco de sua banda. Para quem quiser um aperitivo, a faixa “Supernatural Superserious” já vazou na internet e dá uma pista do que vem por aí.

OHN

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